Mariana Aydar, Mariana do Forró

Há muito tempo atrás, Mariana Aydar e Dominguinhos fizeram uma gravação maravilhosa da música FirimFimFim do Fole do João Gonçalves. Nela, o sanfoneiro brincava com seu instrumento enquanto Mariana soltava a voz. Em determinado momento ele se referia a Mariana como Mariana do Forró.

Era assim que eu via aquela menina até então, Mariana do Forró.

Mas Mariana cresceu e cheia de vontades. Como o mundo é grande e vasto de possibilidades, a Mariana do Forró virou Mariana da música em geral e acabou gravando três discos, nenhum de Forró,  mas todos com uma lembrança ou uma pitada daquela paixão que, naquele momento, ela reprimia.

A menina que conhecíamos da Banda Caruá, sua antiga banda de Forró, mudou de fisionomia, ficou mais séria, mais sexy, mais ousada, mais inacessível. Mas também, ela sorria menos, parecia mais engessada.

O trabalho que ela fazia era lindo, mas, para mim, soava menos vibrante.

Eu, pessoalmente achava um desperdício, pois Mariana na MPB era mais uma, de uma ótima leva de cantoras que apareciam naquele momento. A Mariana do Forró trazia algo inédito, um jeito de ser nunca havia visto antes, diferente de Elba Ramalho ou de Marines. Ela não trazia o rústico nordestino, detalhe que amamos, mas que no caso dela não faz falta e até nos possibilita um olhar diferente pro ritmo. Bastante diferente também de Lucy Alves, cantora emergente do ritmo, e que tal como Mariana neste momento, pega uma rota diferente na carreira, mas num lugar diferente da personagem deste texto.

Eis, contudo, que nas voltas do mundo, Mariana se reencontrou com o Forró e aquela dupla, que era uma só, a Mariana do Forró reapareceu.

Não sei como nem porque, mas apesar de cético, certas coisas realmente não se explicam, mas Mariana transbordou!

Ela transbordou talento, alegria, felicidade, atrevimento, beleza, sim, beleza, não apenas na música, no Forró, mas nela! Mariana que sempre foi muito bonita, está radiante, linda, brilhando, assim como sua música e sobretudo, a sua aparição nos palcos.

Quem a vê cantando Forró, vê alguém inteira, presente, forte, feliz, sobretudo feliz e com uma energia que sobressai, contagia, empolga.

Mas é fácil falar dela assim, basta ver e escutar.

A idéia aqui é ir além disso, ir aonde ela tem tido uma importância notável, que a coloca, talvez, neste momento, no patamar de uma das pessoas mais importantes do ritmo.

Começa com Mariana, ainda quando distante do ritmo, como produtora do filme sobre Dominguinhos, um filme que marca pela primeira vez o sanfoneiro como protagonista em uma produção cinematográfica. Um personagem que há muito tempo merece lugar de destaque, não apenas no Forró, mas na música brasileira e, quiça, mundial. Que venham outras...

Depois de algum tempo, ela criou o FORROZIN, bloco de carnaval que tem o Forró como tração mais importante e que, neste último evento de Momo, foi o único representante relevante do ritmo, já que nem o “A Ema Gemeu de Canto a Canto “e nem o “Rindo à Toa “conseguiram ir pra rua.

Alguns Forrozeiros reclamaram que o bloco tocou pouco Forró. Eu penso que tocou o que tinha que tocar, pois para trazer pessoas para ouvir Forró que não apenas forrozeiros, requer que outros ritmos participem para, dessa forma, atrair mais e mais pessoas. Foi emocionante ver esse grande trabalho da Mariana do Forró.

Neste momento, mais uma vez, Mariana irrompe no áudio visual lançando o “Veia Nordestina”, uma série de filmes com diferentes episódios e temas sobre o Forró.

O Primeiro capítulo, já lançado, fala do Forró em São Paulo, sua história e personagens. O próximo, em fase de filmagem e edição, abordará as mulheres no ritmo, e por ai vai.

Tanto no ‘Veia Nordestina” quando no documentário sobre Dominguinhos, Mariana teve patrocínio da Natura, coisa que nós, produtores veteranos, jamais conseguimos em nossas iniciativas, quase sempre mais amadoras do que as que ela tem realizado.

Recentemente, ela produziu o Arraial do Forró, um evento incrível, num local muito charmoso, em que ela fez FORRÓ e música brasileira em geral, com convidados da primeira linha da MPB e, de certa forma, inusitados no ritmo como, por exemplo, a fantástica cantora baiana Luedji Luna. Além desta, os ótimos Chico Cesar e Marcelo Jeneci e a maravilhosa Maria Gadu.

Mariana tem composto Forró, e ela traz consigo, herança de suas andanças na eclética MPB, um viés charmoso e sofisticado que atrai um outro público para o ritmo de Gonzaga. Ritmo este que cabe em qualquer espaço, até porque ele se adapta bem, pois pode mudar de roupa, sem perder nada de sua essência, e assim cativar sempre novos amantes. Tudo isso, sem se afastar do que existe de mais tradicional.

Além disso tudo, Mariana vem trabalhando as midias digitais como poucos, divulgando seus shows variados, seja com a excelente banda que a acompanha, com destaques para Cosme Vieira e Feeh Silva ou em Arrumadinhos muito especias com Felipe Cordeiro e Marcelo Jeneci ou ainda com Enok Virgulino e Dió de Araujo.

Por tudo isso e pelo que sabemos do que vem pela frente, podemos dizer que a Mariana Aydar também é a Mariana do Forró, e como Dominguinhos bem disse na mesma gravação que fez com a cantora, nós corroboramos aqui: “Arroxa Mariana!

Paulinho Rosa (Junho/2019)

Tags: Junho, 2019

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