Breve Retrospectiva

Acabou 2018, ainda faltam alguns dias, mas o ano efetivamente passou e, agora, é esperar 2019 com aquela ansiedade e desejo sempre renovado de que tudo seja bem melhor.

Não que 2018 tenha sido um desastre; não foi. É bem verdade que os acontecimentos recentes não abrem muitas perspectivas futuras, mas ai vem a força de não sei onde para tentar nos deixar otimistas e, quem sabe, com um pequeno milagre que a música às vezes faz, continuar a tentar um ano bem bom.

O Canto da Ema teve uma pequena melhora em comparação a 2016 e 2017, mas o que vale observar é que resolvemos apostar em projetos e quase todos vingaram, o que nos traz uma alegria que só nos motiva.

Nem todos os projetos foram nossos, mas de alguma forma, os autores nos trouxeram, achando que aqui, com nossa estrutura, amor pelo ritmo, tendência de mudança e modernidade, cuidado com o legado e sobretudo, pela boa reação que temos com a maior parte do nosso “mundo” Forró, seria possível realizar os projetos com o cuidado e a atenção que mereciam. E lá fomos nós!

A Noite do Apagão foi um deles. O Dois Dobrado, uma das bandas de maior ascensão no sudeste, que tem um dos melhores trabalhos autorais e que mais cuidam do entorno do ser uma banda, com clips, camisetas, projetos e outras ações, nos trouxe a ideia da noite mais escura e a produziu com esmero, inovando e mudando a cara da casa de uma forma deliciosa.

Mas não bastou mexer na iluminação. Junto, trouxeram pulseiras fosforescentes que deram um aspecto super bonito durante os blackouts, ofereceram balas para adoçar os frequentadores e ainda inventaram participações especiais sem anunciá-las, mas que, no escuro, nos fez primeiro ouvir e depois ver, estimulando mais sentidos que apenas o Forró.

O Junto & Misturado também foi um projeto trazido para nós; não o nome, mas a concepção de colocar em um mesmo palco duas bandas sentadas quase que frente a frente em formato de V. Uma participando da apresentação da outra, com ambas se alternando no protagonismo da noite e, dessa forma, criando um show super variado, dinâmico e cheio de alternâncias, com um som enriquecido com a duplicidade de instrumentos e vozes.

O mais legal é que sempre variamos os personagens o que fez com que cada evento fosse muito especial.

Outro projeto que não é de nossa autoria, mas que abrigamos com muito prazer foi o Rendez-Vous do Krassik, que nada mais é que um show do violinista franco/brasileiro Nicolas Krassk.

A ideia do projeto é ele se apresentar com suas músicas e algumas interpretações de clássicos do Forró, com uma banda afiada e alguns cantores versáteis e de estilos diferentes. Alguns já passaram por aqui tornando cada noite bem eclética e com características diversas, pois a elegância do seu instrumento e os Forrós que ele toca, contrastam com a rusticidade de alguns cocos de um dos cantores, o romantismo de outro ou ainda, com a excepcionalidade da voz de outra cantora que também fez parte do projeto. O resultado foi sempre ótimo com enorme sucesso de público e crítica.

Além dos projetos, vale a pena relembrar algumas mudanças no mundo do Forró.

Para nossa tristeza, um dos trios mais longevos, importantes e de maior influência no Forró do sudeste se desmanchou. O Trio Virgulino se separou com Enok Virgulino entrando em carreira solo e os queridos Adelmo Nascimento e Roberto Pinheiro mantendo o nome e, tomara, a qualidade e carisma desse trio tão especial.

Quem se separou também e está com uma formação totalmente diferente é Os 3 Do Nordeste, que achou um cantor que impressiona a qualquer um que o ouve.

E agora, já quase no apagar das luzes de 2018, um dos trios mais requisitados de toda a cena do Forró também se separou, Tom Silva, o sanfoneiro do Trio Dona Zefa saiu. Provavelmente, logo arrumará um novo projeto, já que é excelente músico. Também o Trio Dona Zefa dos irmão Ramalho deverá se manter em alta, pois já passou por mudanças no passado e o trio sempre manteve a qualidade, característica, personalidade e excelência.

O Arrimadinho se manteve com a qualidade de sempre; o público nem sempre foi o que o evento merecia, mas quem vem, quase sempre sai muito satisfeito. Afinal, o projeto mais copiado da história do Forró, seja com o mesmo nome ou ele modificado, é um sucesso.

Este ano tivemos uma variação muito bacana no mês de outubro, quando todas as 5 edições do mês (tivemos 5 quartas-feiras em outubro) foram compostas apenas por mulheres musicistas, todas participantes do coletivo Forró das Minas. Foi uma iniciativa necessária para a inclusão de mais mulheres no, até agora, masculino mundo do Forró, o que nos deu a oportunidade de todos conhecermos mais musicistas apaixonadas pelo ritmo.

Aproveito este momento feminino do texto para saudar a chegada de Sandra Belê ao cenário do Forró paulista, ela que é uma craque. Festejo também o retorno de Liv Moraes depois de vários anos de ausência. Que ambas fiquem conosco e, juntamente com as outras mulheres, tornem o Forró cada vez mais feminino e que tenham cada vez mais espaço por aqui, já que talento não falta!

No mais é tocar pra frente. 2019 chegou e vamos fazer de tudo para que seja incrível! Sempre acho que se um dia fizermos efetivamente uma revolução ela começará e terá os maiores alto-falantes na cultura e por isso trabalharemos cada vez mais e com mais afinco para que tudo de melhor aconteça e, se possível, com muito Forró!

Paulinho Rosa (Dezembro/2018)

Tags: Dezembro, 2018

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