O Oscar vai para... O Canto da Ema

Era um sábado que prometia ser como um outro qualquer.

Claro que os sábados são sempre especiais. Afinal, o dia nobre de sair da maior parte da população sempre tem características muito próprias como, por exemplo, para nós, do Canto da Ema, a profusão de estilos na casa.

Nos sábados, costumamos receber todo o tipo de pessoas, de cores e formatos os mais diversos que se possa imaginar! Vem gente de todo canto, todas as raças, etnias, credos, idades e classes sociais, tudo isso misturado em casais dançando um só ritmo : O Forró.

É comum ter uma senhora de plumas e paetês dançando com algum rapaz de bermuda e chinelo. Não menos raro é algum moço com sua camisa xadrez devidamente acomodada por dentro de calça jeans muito bem ajustada, dançando com uma menina descalça, em vestido muito confortável; também não é de se estranhar que um rapaz bem gordo esteja rodopiando cheio de agilidade no salão com alguma menina que atrai os olhos da maioria dos presentes; e assim vai.

Mas o que foi inusitado no último sábado foram duas figuras diferentes, de mundos muito distantes, mas que, antes do encontro no Canto da Ema, já haviam sido protagonistas em outra festa com charme similar ao da nossa casa de Forró: foi na festa de entrega de prêmios da indústria norte americana de cinema: o Oscar! Mesmo que com dois anos de diferença, ambos subiram ao palco e receberam a tão almejada estatueta.

Os dois em questão são: Adrien Brody, o ator que ganhou o prêmio por sua magnifica atuação no filme: “O Pianista”; e ainda o cantor uruguaio Jorge Drexler, que levou o Oscar para sua casa com a música “Al Otro Lado Del Rio” do filme “Diários de Motocicleta”.

Mas, nesse dia, não eram apenas esses dois notáveis que estavam no Canto da Ema. Além deles, aqui estava o  da banda 5 a Seco, que também compareceu surgindo na frente do palco onde o Ó do Forró tocava, justamente no momento em que executavam uma canção dele e ainda a cantora Vanessa da Mata, responsável pela vinda do ator americano às pistas de dança.

Adrien, que chegou tentando ser discreto com um capuz de moletom cobrindo a cabeça, acabou por dançar por horas no Canto da Ema como se um antigo dançarino de forró fosse. Mas quem realmente aproveitou a noite foi Jorge Drexler, o cantor e compositor uruguaio não perdeu uma música sequer, alterando as parceiras sem nenhum descanso; parecia mesmo um antigo forrozeiros em seus melhores momentos.

É sempre um grande prazer constatar a força do Forró! Dois mega artistas, conhecidos internacionalmente, sentindo-se à vontade no Canto da Ema e dançando como se estivessem na casa deles, se é que eles o fazem em suas casas. Assim também fez Vanessa da Mata, um pouco menos o Tó, mas todos se divertindo entre nós, mortais de etnias, raças, credos, classes sociais e idades tão diferentes, mas que na pista do Canto da Ema, se encontram. Imagino que, naquele dia, estivessem aqui advogados, médicos, maquiadoras, bailarinas, guardadores de carro, taxistas, empresários, psicólogos, estudantes, desempregados, mas o fato é que aqui se encontraram estavam uma das mais relevantes cantoras do país, integrante de uma das bandas em maior ascensão do Brasil e ainda dois ganhadores de Oscar.

Jorge Drexler, em determinado momento, colocou o braço em volta do meu pescoço e cochichou: “Eu adoro a sua casa!”

Adrien não disse nada, mas soube, no dia seguinte, que saiu muito feliz e impressionado com o que viu e participou.

Nós, do Canto da Ema, estamos até agora embevecidos por visitas tão ilustres, mas já sabíamos que o Forró é assim. Afinal recebemos pessoas importantes o ano inteiro, com ou sem Oscar, mas que aqui vêm pra dançar e se divertir, como Vanessa da Mata, como Tó, como Drexler, como Adrien, como você....

Paulinho Rosa (Maio/2018)

Tags: Maio, 2018

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