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E d i t o r i a l


Paulista adora Carioca

       Sei que muito paulista vai odiar a frase acima, mas se existe uma rivalidade São Paulo X Rio de Janeiro isso definitivamente não acontece no forró. O público paulista ama as bandas cariocas.
       São da baía de Guanabara de onde surgem as bandas com mais repercussão de público, ao menos em São Paulo. Se a banda de maior sucesso nacional recente do ritmo foi sem dúvida o Falamansa e depois o Rastapé, duas bandas paulistas, no meio dos aficionados do gênero, o Forroçacana é, ou foi, a grande vedete. Disparado o Forroçacana é quase unanimidade no meio dos forrozeiros.
       O Falamansa foi quem mais vendeu e mais atraiu público em geral pelo país afora. Foi a banda que influenciou e cativou este país de volta para um ritmo semi-esquecido, mas, entre os “forrozeiros”, aqueles que trabalham, dormem, comem e fazem tudo escutando forró, têm menos penetração.
       Já o Forroçacana, mesmo tendo gravado DVD com inúmeras participações dos mais importantes nomes da MPB, pouco espaço teve na mídia e pouca penetração nos locais mais longínquos do país, locais que para chegar, mais do que avião, barco ou carro você precisa é da Globo.
       No início do movimento, lá pelos idos anos de 1996, eles, o Forroçacana, dividiam as atenções com outra banda carioca, o extinto Paratodos do filho do grande Geraldo Azevedo. Mais recentemente Raiz do Sana, Trio Potiguá (que apesar do nome está no Rio de Janeiro), Trio Nordestino (a formação atual é quase que inteira carioca) e agora o Duani, ex Forroçacana, lotam e incendeiam a galera paulista. São todas excelentes bandas e trios, mas aqui em São Paulo também os temos e em alguns casos fazem o mesmo alarde, mas em outros a repercussão é bem menor que o das bandas oriundas do estado fluminense.
       É claro que as bandas cariocas são mais raras e as bandas paulistas são mais freqüentes para o público de São Paulo, e esta poderia ser uma boa explicação para o sucesso das bandas cariocas, mas o fato é que o sucesso é inegável.
       Será que é o sotaque ou existe efetivamente uma forma diferente de tocar música entre paulistas e cariocas?
       Uma boa parte dos músicos do país aporta em São Paulo para fincar residência e dar prumo à difícil vida de artista. Outros tentam o mesmo em suas próprias cidades de origem, mas a maioria escolhe o Rio de Janeiro para morar. Afinal, se o dinheiro está na cinzenta e gigante megalópole que é São Paulo, o Rio atrai pela vocação cultural e artística, além de ter todas as qualidades que a transformaram em “cidade maravilhosa”.
       Talvez essa seja a grande explicação, a vivência conjunta de tantos artistas de várias vertentes e origens, faz com que a conseqüência seja um som diferente e mais agradável a este também misturado público de São Paulo. Os artistas se misturam e se influenciam uns aos outros por lá, enquanto nós, que somos uma salada de povos, absorvemos aqui.
       Tentativa de sociologia à parte, a verdade é que temos excelentes bandas nos dois estados. Se olharmos bem temos em vários outros estados também, dependendo do gosto e preferência de cada pessoa e isso tudo é excelente para quem ama o forró. E, de quebra, ajuda a derrubar uma das coisas mais bobas que existem no sudeste e em todo o país, que é a rivalidade São Paulo X Rio de Janeiro.

Paulinho Rosa
Junho/2008

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