Sempre
ouvi aquele velho chavão de que saúde é o
que importa. Se você tem saúde o resto se
resolve. Pois bem, há pouco tempo comecei a reparar
que isso é cada vez mais verdadeiro.
Não sei se é porque estou
envelhecendo ou me tornando um jovem cada vez mais experiente, mas tenho ficado
com mais freqüência diante de situações difíceis
com relação a questões de saúde. Sejam familiares
queridos, conhecidos ou amigos insubstituíveis no trabalho e no coração.
Cada um reage a doenças e dores de
uma forma diferente. Eu sou daquele tipo de pessoa que fica chata, mal humorada
e insuportável com qualquer tipo de doença ou dor. Qualquer uma
me transforma da pessoa geralmente alegre e animada que normalmente me imagino
ser. E pode ser qualquer uma como: dor de cabeça, de dente, de ouvido,
pedra no rim, unha encravada, espinho no pé e a pior delas, as dores do
coração... Esta última, além de tirar tudo o que
as outras tiram, tira também a fome, o sono e as vontades... todas!
Como vocês reagem a elas?
Mas quero falar de outras dores, as causadas
por males maiores, pois todas aquelas que falei antes, um bom analgésico
ou o tempo curam (será?). Quero falar não só das dores,
mas das doenças sacanas, perversas, injustas e covardes que se alojam
nas pessoas, em nossos amigos, familiares e todo o tipo de gente sem pedir licença
deixando-os a nocaute, calando fundo suas vidas e alegrias. Quando se trata de
músicos e artistas em geral, essas doenças calam, além dos
próprios sentimentos deles, parte da nossa alegria, esperança e
bem estar emocional. Quando é de um amigo já mexe com a gente.
Quando é de um grande amigo, revolta, sensibiliza, preocupa muito e entristece.
Não sei como toca às pessoas
a doença de um ídolo ou de alguém que admiram como, por
exemplo, cantores, compositores e artistas em geral. Ouvimos falar, lemos notícias,
acompanhamos alguns dramas pela mídia sob a cadência de boletins
médicos ou boatos em geral. Mas, quando passamos a conhecê-los em
suas vidas normais (eles têm uma vida normal) e descobrimos que estas pessoas
têm família e sentimentos reais, assim como os nossos, além
de fragilidades, percebemos que embora pareçam imortais pelo conteúdo
de suas obras eles adoecem e sofrem da mesma forma que nós. É muito
duro quando descobrimos que os autores daquela música, poesia, performance,
pintura, ou seja lá o que for, ficará calado, impossibilitado em
tudo aquilo que nos faz tão bem, durante o tempo de recuperação.
O forró é um ritmo estranho,
esteve e está dividido em duas gerações bem distantes: aqueles
contemporâneos de Luiz Gonzaga e os que vieram logo a seguir, e essa nova
geração que apareceu do meio da década de 90 para cá.
Portanto temos um pessoal na faixa dos sexagenários, uma faixa vazia e
depois uma de jovens com seus 30 anos mais ou menos.
Na faixa mais antiga já tivemos vários
casos de doenças no nosso mundinho da sanfona, zabumba e triângulo;
doenças sérias, perigosas, típicas da idade desses jovens
senhores. Nessas horas é importante refletir, pensar, relembrar das obras
destes que adoeceram, mas, sobretudo cuidar e torcer muito por eles, responsáveis
diretos por alguns dos melhores momentos de nossas vidas. Às vezes o susto é ainda
maior, pois além daqueles que passam a sofrer o peso normal dos anos,
outros que nem deveriam pensar em problemas passam a se defrontar com eles.
Mas, embora pareça um texto pessimista
e triste é o contrário, está tudo bem por aqui. Acho que
cantar e, sobretudo dançar faz bem a saúde.
Nossos ídolos estão fortes
e dispostos, acho que com a ajuda de seu Luiz e Jackson lá em cima, o
pensamento positivo de todos os amantes de xotes, baiões e forrós,
e principalmente pela força e alegria que emanam com seus trabalhos e
composições eles se manterão em forma, e assim continuarão
por muito tempo, pois a cabeça está muito boa e o pulmão
cada dia com mais ar.
Dedicado a Dominguinhos e Tato, dois
dos maiores expoentes do forró que passaram por cirurgias delicadíssimas,
mas já estão muito bem.
|