Estamos
pensando em acabar com todas as bandas no Canto da Ema.
Já que ninguém aplaude, nem se assiste os
shows, talvez o melhor seja fazer isso.
Na verdade, poucas pessoas dão a
importância que essas bandas merecem. Ao final das músicas, ouve-se
uma ou outra palma, aqui e ali. A impressão que se tem é que se
tivessemos apenas o som de CDs daria na mesma. No final das contas, não
seria melhor???? Vejam bem: não teríamos cachês para pagar
e poderíamos repassar essa economia para os clientes, diminuindo o preço
dos ingressos. As pessoas dançariam da mesma forma, pelo mesmo tempo,
pagando menos e sem serem importunados por microfonias (pouquíssimas na
verdade), ou por músicos que, eventualmente, esquecem uma ou outra letra,
ou, ainda, por um chato que insiste em interromper o forró para dar avisos
sobre a programação das bandas (que, afinal, não existiriam
mais).
Para que ficar quebrando a cabeça
para sempre ter o melhor do forró, para que trazer e escolher as melhores
opções do mercado se os frequentadores nem notam e não dão
nem um aplausosinho?
Saibam os que estiverem interessados que
o aplauso é quase tão importante quanto o cachê. O dinheiro é certamente
necessário, mas não basta: é o aplauso que alimenta a alma
do artista, que revigora seu ânimo, que acaricia a sua vaidade. É o
reconhecimento do público pela arte que lhe foi proporcionada, o agradecimento
pelo prazer recebido. Elogios são sempre bem vindos em qualquer segmento;
mesmo as críticas, desde que construtivas, propiciam crescimento e melhora.
Mas o aplauso é mais: é o elogio instantâneo, a reação
afetiva imediata, a satisfação, provocada no público, pela
música; é o "quero mais". O aplauso é a bússola
do artista. Quando uma música acaba e nada se ouve senão o zumzumzum
do público é que algo está errado. A indiferença é quase
tão ruim quanto a vaia; talvez seja até pior, pois, na vaia, o
músico sabe, ao menos, que está sendo ouvido.
Muito bem, o choro já foi chorado. É claro
que o Canto da Ema nem sonha em parar com música ao vivo, caso contrário,
estaríamos negando tudo em que acreditamos. Estamos, sim, cada vez mais
entusiasmados com a possibilidade de trazer novos e importantes músicos
para alegrar a noite dos nossos clientes. Mas, de fato, seria muito legal se
esse que é seguramente o melhor público de forró do país
notasse a qualidade das bandas e aplaudisse mais, e prá valer, quando
gostam do que foi tocado. Essa interação melhora o show, o pique
do músico, o clima da noite e o ânimo geral. O que é um show
pode tornar-se um espetáculo. O que era uma saída, pode virar "a
balada". O que era mais um forrozinho pode virar uma autêntica noite
no Canto da Ema.
Por tudo isso, estamos inaugurando a partir
de agora a era do aplauso. Portanto, como diria o Enoque Virgulino: - "CADÊ AS
PALMAS?????"
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