Como
fazer para atrair pessoas para o forró?
Que existe preconceito contra o forró,
acho que ninguém discute. O que se faz necessário é discutir
como vencê-lo.
A principal arma para ganharmos essa guerra
seria a mídia, mas esta lidera o movimento contrário. São
eles, o pessoal da mídia, os que mais têm preconceito.
A minha sugestão é que façamos
um trabalho de "formiguinha", conquistando um a um e trazendo para
o nosso terreno aqueles que insistem em nos ignorar.
A receita deve ser homeopática e paciente.
Devemos agir com a calma dos monges e sabedoria dos sábios (!), sem atropelar
etapas e sem perder o foco do nosso objetivo. Devemos começar, com calma,
a trazer as pessoas ao Canto da Ema para que elas possam conhecer um local agradável,
bem decorado, com banheiros limpos e bom atendimento. Música de primeira
com Trio Virgulino, Trio Sabiá, Trio Araripe e O Bando de Maria. Freqüentadores
de primeira, público animado, simpático e bonito (bonito aqui tem
diversas conotações). Nessa hora, boa parte daquela aversão
ao forró já vai se apagar.
É preciso, ainda, mostrar para aqueles
que ainda não descobriram o forró, o prazer inenarrável
de se dançar bem juntinho um xote daqueles melosos e arrastados (Flavio
José, Maciel Melo, etc)... ou mesmo um daqueles puladinhos em que as letras
cheias de humor levantam o clima geral do lugar. Contar para os ainda aforrozados
(existe essa palavra?) como é instigante você estar em alta velocidade
jogando seu corpo de um lado para o outro em um côco ou um forró daqueles
de levantar poeira no salão. E olha que levanta de verdade, mesmo em chão
limpo e encerado como o do Canto da Ema. Outra arma, para quem quiser convencer
de vez os nossos futuros novos companheiros: convide-os a rebolar puladinho ou
caminhando pelo salão, num arrasta-pé. Eles verão que, se
ainda existem as micaretas (carnavais fora de época), existe quase que
diariamente um São João fora de época nas casas que tocam
forró. E quando isso acontece, a casa parece que vai explodir, assim como
nossos corações, transbordando de alegria e felicidade.
Se tudo isso não der certo e ele não
aceitar o convite, mostre um pouco de música.
Comece de leve: um Alceu Valença,
uma Elba Ramalho, um Zé Ramalho, algo assim, mais contemporâneo,
com arranjos mais atuais e com cara de MPB. Um "Eu Só Quero Um Xodó",
de Dominguinhos e Anastácia, também funciona bem, principalmente
naquela voz grossa e cheia de boniteza do nosso acordionista maior. As pessoas
vão perguntar: "isso é forró?" e a gente, cheio
de orgulho, responde que sim.
Apele ainda para uns Gilberto Gil, Caetano
Veloso e Chico Buarque. Sei que é apelativo, mas eles têm forrós
e dos bons.
Mostre junto, para que eles se acostumem,
um pouco de Luiz Gonzaga, mais Dominguinhos, Jackson do Pandeiro e João
do Vale. "Xote das Meninas", "Na Asa do Vento", "Chiclete
com Banana" são tiros certos e infalíveis.
Depois, estando eles já mais próximos
e, provavelmente, a essa altura, já querendo conhecer mais, ataque de
Trio Nordestino, Os Três do Nordeste, Marines e outros assim. Essa é a
hora em que, definitivamente, eles foram fisgados. E como novos apaixonados vão
virar viciados e passarão a consumir: Jacinto Silva, Azulão de
Caruaru, Ari Lobo e até Jacinto Limeira, Sebastião do Rojão
e Edson Duarte. Todos esses e muito mais. Vão querer instrumentais de
Abdias, Osvaldinho e Zé Calixto. Vão desfilar em nossas caras as
seqüências de músicas de Toinho das Alagoas, Assisão,
etc...
Quando chegarem a esse estágio, convide-os
a contar a saga pela qual passaram para outras pessoas. Se cada um contar para
dois e trouxerem estes para o nosso reduto, acredito que em dois anos conseguiremos
chegar àquele primeiro passo que mencionei acima, a mídia.
Mas não se esqueça. Vá devagar
e lembre que afinal, você também passou por tudo isso.
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